Através de nossa história a utilização da água como meio de cura vem sendo descrita desde a civilização grega (por volta de 500 a.C.). Escolas de medicina foram criadas próximas as estações de banho e fontes, desenvolvendo, assim, as técnicas aquáticas e suas utilizações no tratamento físico específico. Hipócrates já utilizava a hidroterapia para pacientes com doenças reumáticas, neurológicas, icterícia, assim como tratamento de imersão para espasmos musculares e doenças articulares (460-375 a.C.). (BIASOLI; MACHADO, 2006)

Hidroterapia

A hidroterapia é um recurso fisioterapêutico que utiliza os efeitos físicos, fisiológicos e cinesiológicos advindos da imersão do corpo em piscina aquecida como recurso auxiliar da reabilitação ou prevenção de alterações funcionais. As propriedades físicas e o aquecimento da água desempenham um papel importante na melhoria e na manutenção da amplitude de movimento das articulações, na redução da tensão muscular e no relaxamento. (CANDELORO;CAROMANO, 2007)

Segundo Bruni, Granado e Prado (2008) esta vem sendo indicada e utilizada por médicos e fisioterapeutas em programas multidisciplinares de reabilitação para pacientes nas mais diversas áreas. Com o seu ressurgimento na década passada, houve um grande desenvolvimento científico das técnicas e tratamentos aquáticos, permitindo uma ampla abordagem e atuação com os pacientes neste meio.

Segundo Resende, Rassi e Viana (2008) a terapia aquática é utilizada para tratar doenças reumáticas, ortopédicas e neurológicas.

É um recurso fisioterapêutico que vem demonstrando resultados positivos no tratamento e na prevenção de várias patologias. Os efeitos da terapia em piscina combinam os produzidos pela água aos exercícios e movimentos realizados, porém a extensão destes efeitos dependerá da temperatura da água, da duração do tratamento, do tipo e intensidade do exercício e da necessidade específica de cada indivíduo. (DEGANI, 1998)

Hidroterapia: Equilíbrio, Força e Propriocepção

Esse tipo de atividade pode associar exercícios de equilíbrio, força e propriocepção. Um melhor equilíbrio pode ser conseguido com treinamento muscular e isso pode diminuir o risco de quedas, já que a diminuição da habilidade de gerar força muscular em membros inferiores contribui para o desequilíbrio. (BIASOLI; MACHADO, 2006)

A multiplicidade de sintomas como dor, fraqueza muscular, deficit de equilíbrio, obesidade, doenças articulares, desordens na marcha, dentre outras, dificultam a realização dos exercícios em solo, ao contrário dos exercícios realizados no meio aquático, onde há diminuição da sobrecarga articular, menor risco de quedas e de lesões. Além disso, a flutuação possibilita ao indivíduo realizar exercícios e movimentos que não podem ser realizados no solo. (RESENDE; RASSI; VIANA, 2008)

A diminuição do impacto articular, durante atividades físicas, induzida pela flutuação, causa redução da sensibilidade à dor, diminuição da compressão nas articulações doloridas, maior liberdade de movimento e diminuição do espasmo doloroso (CANDELORO;CAROMANO, 2007)

Efeitos terapêuticos da água aquecida

Preventivo:
  1. Previne deformidades e atrofias;
    2. Previne piora do quadro do paciente;
    3. Diminui o impacto e a descarga de peso sobre as articulações (5).Motor:1. melhora da flexibilidade;
    2. Trabalho de coordenação motora global, da agilidade e do ritmo;
    3. Diminuição do tônus (diminuindo as referências fusais);
    4. Reeducação dos músculos paralisados;
    5. Facilitação do ortostatismo e da marcha;
    6. Fortalecimento dos músculos(4,6).Sensorial:1. Estimula o equilíbrio, a noção de esquema corporal, a propriocepção e a noção espacial, já que a água é um meio instável;
    2. Facilita as reações de endireitamento e equilíbrio, visto que não existe pontos de apoio e o paciente é obrigado a promover alterações posturais (flutuação e turbulência);
    3. Diminui os estímulos proprioceptivos à medida que aumenta a profundidade, diminuindo a descarga de peso (5). (BIASOLI; MACHADO, 2006)

Contra-indicações

Há algumas contra-indicações absolutas, como feridas infectadas, infecções de pele e gastrointestinais, sintomas agudos de trombose venosa profunda, doença sistêmica e tratamento radioterápico em andamento. Alguns processos micóticos e fúngicos graves também requerem afastamento do paciente de ambientes úmidos. Processos infecciosos e inflamatórios agudos da região da face e pescoço, como inflamações dentárias, amigdalites, faringites, otites, sinusites e rinites, costumam apresentar piora com a imersão, por isso devem representar contra-indicação. (BIASOLI; MACHADO, 2006)